Marrocos – Aït-Ben-Haddou e Ouarzazate

Excursão a Aït-Ben-Haddou e Ouarzazate

Durante o planeamento da viagem a Marrocos queríamos aproveitar para conhecer um pouco mais o país do que apenas Casablanca/Marraquexe. Chegámos a pensar em alugar um carro, mas após ler algumas opiniões e relatos de experiências achámos que não seria uma boa ideia por 3 principais motivos: o preço (iria encarecer bastante a viagem dado que ficaria em cerca de 35-40€/dia), a confusão de conduzir dentro da cidade (que se confirmou quando lá tivemos, não é definitivamente para todos!) e pelas quantidades de operações “stop” realizadas pela polícia local (que tendencialmente agravam quando denotam que se tratam de turistas). Como tal, optámos por fazer uma excursão de um dia. E não nos arrependemos.

São várias as opções de excursões de um dia disponibilizadas por operadores turísticos que partem de Marraquexe. Após uma pequena pesquisa pelos vários destinos possíveis, acabámos por optar por Aït-Ben-Haddou e Ouarzazate. Esta excursão permite ter uma noção da imensidão da Cordilheira do Atlas: esta estende-se por um total de 2.400 quilómetros passando 3 países – Marrocos, Argélia e Tunísia – e as suas montanhas criam a divisão entre a zona costeira do Mar Mediterrâneo e Oceano Atlântico e o deserto do Saara. Como tal, a paisagem torna-se diferentes de cada lado da Cordilheira, contendo mais vegetação do lado norte e sendo mais árida e seca do lado sul.

Dentro dos vários operadores turísticos acabámos por escolher um que se destacava pela quantidade de opiniões positivas: Marvelous Morocco Tours. Após diversos contactos para alinhar todos os pormenores com o sempre disponível Iddir, acabámos por agendar esta viagem para o nosso segundo dia na cidade. A excursão iria ter início pelas 8 da manhã e prometia ser um dia em cheio. Para esta excursão tivemos a companhia do nosso guia Abdul e do condutor Hussain, os dois bastante simpáticos. A viagem fez-se num jipe 4×4 bastante confortável.

Até Aït-Ben-Haddou fizemos 185 quilómetros de curvas e contracurvas, num total de 4 horas e onde passámos pelo meio das montanhas Atlas. Durante este percurso passámos por várias povoações berberes (população nativa do Norte de África) e cruzámo-nos com várias mulheres nas bermas das estradas a caminhar para ir buscar água e comida e homens a vender várias peças de artesanato. Por entre as curvas passámos pelo Tizi n’Tichka (também conhecido por Col du Tichka), que se situa a 2.260 metros de altura e que tem uma vista muito bonita sob a cordilheira.

Pelo caminho ainda parámos numa cooperativa de produção de óleo de argão, onde trabalhavam mulheres berberes e que ajudava na sua inserção no mercado de trabalho. A extração do óleo de argão é bastante comum em Marrocos, sendo utilizado para fins cosméticos (para aplicação direta na pele ou como base para a produção de cremes com diversos fins) ou alimentares (utilizado para temperar alimentos). Durante a visita à cooperativa é explicado todo o processo da extração do óleo, sendo este demonstrado pelas mulheres que trabalham neste processo. Posteriormente passamos a uma sala onde é demonstrada uma panóplia de produtos para todos os fins.

Quando chegámos a Aït-Ben-Haddou ficámos impressionados com a imponência da cidade. O nosso guia Abdul prontificou-se a explicar-nos que se trata de uma cidade fortificada e que tinha uma elevada importância para todos os marroquinos que faziam a travessia entre Marraquexe e o deserto, servindo como local de repouso. Hoje em dia esta zona tem servido como cenário para vários filmes, entre os quais destacam-se o Gladiador, A Múmia e o Príncipe da Pérsia. A cidade é um exemplo perfeito da arquitetura do sul de Marrocos: os edifícios têm coloração vermelho-acastanhado por serem feitos de argila, estrume e palha. No topo do monte temos uma vista deslumbrante por toda a cidade e pelas montanhas do Atlas. Acabámos por almoçar neste local e partilhar algumas experiências com o nosso guia. Tivemos a oportunidade de perceber melhor a cultura deste país e de vermos as diferenças que ainda são bastante significativas entre o que cada um de nós pode considerar normal (e na verdade, o problema está mesmo aí – porque ligamos tanto ao que é normal?). Mas esta discussão ficará para outra altura.

Daqui partimos para uma breve passagem por Ouarzazate, também considerada como a Hollywood de Marrocos. É aqui que estão sediados os estúdios Atlas Corporation muito utilizados para a produção de diversos filmes. Também nesta zona é possível ver o museu do cinema e, de frente, o kasbah de Taourirt. Acabámos por visitar o kasbah e a cidade em seu redor. Este passeio foi em passo acelerado, mas em 45 minutos conseguimos ver os principais pontos graças a um amigo que fizemos no local. Mostrou-nos os sítios mais importantes e com as melhores vistas e tratou-nos como “irmãos”. A não esquecer.

Pelas 17h começámos a fazer o caminho de volta para Marraquexe que se demonstrou mais rápido do que na ida (menos paragens e sem dúvida mais velocidade). Chegamos ao nosso riad de coração cheio e tendo a certeza que voltaremos a fazer uma excursão do género.