Marrocos – Maraquexe e Casablanca

Marrocos – A terra de cor de barro

E quando pensámos que tínhamos fechado 2017 em termos de viagens, resolvemos à última da hora seguir rumo a uma última aventura. Sabíamos que tínhamos poucos dias (mais concretamente apenas 5) e orçamento limitado pelo que não poderíamos ir para longe. Com a viagem de Julho (2NK) muitos dos países Europeus já tinham sido parcialmente visitados, pelo que não tínhamos grande interesse em repetir capitais. Após alguma pesquisa encontrámos uns bilhetes em conta para o destino que já tínhamos pensado muitas vezes: Marrocos.

O primeiro ponto que nos atraiu foi a possibilidade de em apenas uma hora podermos ser transportados para uma realidade totalmente diferente da que estamos habituados. Mas pensar apenas isso seria menosprezar tudo o que este país tem para oferecer a quem o visita.

Marrocos é um país situado no norte de África, caracterizado por um perfil montanhoso intervalado por grandes extensões de deserto e com um litoral banhado pelo Oceano Atlântico e pelo Mar Mediterrâneo. Estas características geológicas e geográficas permitem que consigamos encontrar diversos tipos de paisagem neste país com cerca de 446 mil quilómetros quadrados. Apesar destas diferenças, um dos principais aspetos que nos saltou à vista mal aterrámos foi a cor acastanhada da paisagem. Sendo nós uns profundos apaixonados pelas paisagens verdejantes, pensámos de imediato que este seria um sítio diferente de qualquer outro que já tivéssemos visitado; e não desiludiu.

Chegámos a Marrocos por voo direto para Casablanca. Após termos lido um pouco sobre as possibilidades de cidades a visitar durante esta curta estadia, decidimos despender mais tempo na que considerámos ser uma das principais cidades a não perder em Marrocos: Marraquexe.

Assim, mal aterrámos seguimos rapidamente para o nosso destino final de comboio. Aqui começaram as aventuras: o voo aterrava às 17h45 e tínhamos comboio pelas 18h30. Sendo esta a nossa primeira viagem a este local não sabíamos se os 45 minutos seria suficiente para sair do aeroporto, comprar os bilhetes e ainda apanhar o comboio. Aqui felizmente o voo colaborou visto que chegou com 10 minutos de antecedência o que nos deu mais alguma margem de manobra para termos sucesso neste plano. Conseguimos apanhar o comboio mas teríamos de mudar numa estação no centro de Casablanca (Gare l’Oasis) para apanharmos o que iria efetivamente para Marraquexe. E aí surge a segunda aventura: tínhamos 5 minutos para fazer o transbordo e mudar de comboio! Aí o sistema ferroviário marroquino ajudou-nos uma vez que o segundo comboio chegou com cerca de 20 minutos de atraso e permitiu que o apanhássemos sem qualquer preocupação.

Após cerca de 4 horas de viagem (e por volta das 22h30) chegámos finalmente ao nosso destino final. E a Gare de Marrakech foi um ótimo ponto de boas vindas, com uma arquitetura moderna mas ao estilo marroquino único. Daí apanhámos um táxi que nos levou ao centro da Medina (zona velha da cidade) onde iríamos ficar alojados num Riad.

Para quem nunca foi a Marrocos e poderá estar a questionar o que é um riad, é nada mais nada menos do que as antigas casas construídas nos centros urbanos históricos das cidades marroquinas, tendo uma característica em comum: a existência de um pátio interior central. Este pátio interior na maioria das vezes funciona como jardim dispondo também de uma fonte. No nosso caso, era onde tomávamos o pequeno-almoço todos os dias. Os riads normalmente são opções mais económicas do que os hotéis, mas existe para todos os “bolsos”, começando desde 15€ por noite.

Durante os 3 dias seguintes aproveitámos para conhecer bem a cidade e as suas pessoas. Visitámos os monumentos mais conhecidos (e que recomendamos vivamente) tais como a Medersa Ali Ben Youssef (antiga escola islâmica), Palácio da Bahia, Túmulos Saadianos (onde repousam 60 membros da dinastia saadiana) e Palácio El Badi. Apesar de serem monumentos muito bonitos, o que mais distingue a Cidade Vermelha é a experiência de percorrer as suas ruas labirínticas e a convivência com os locais.

Se a primeira impressão é que os Marroquinos são incrivelmente chatos e aproveitadores dos turistas (tudo serve de razão para pedir uns trocos ou para impingir algo), mas a verdade é que com o tempo começamos a perceber que são dos povos mais simples, humildes e simpáticos que já tivemos o prazer de conhecer. De facto, nota-se uma ligação com Portugal (a verdade é que não estamos assim tão longe) e lógico que sai frequentemente uma referência ao nosso mítico craque de futebol. E tantas foram as vezes que nos mudaram os nomes para Fátima (nome de origem Árabe devido a ser filha do profeta Mohammed) e para Mustafa (que significa em Árabe “O Escolhido”) que no final nós próprios já duvidávamos se iriamos voltar para o nosso nome original ou não.

O ponto de partida para qualquer visita a Marraquexe é a Praça Djema el-Fna: é aqui que tudo acontece, desde a venda de diversos artigos, a encantadores de serpentes, macacos, etc. Mas a sua verdadeira vida começa quando o sol se põe. Aí a praça fica cheia de locais para comer e com inúmeros grupos de pessoas a tocar música e a dançar, num espetáculo de sons e de cores como só se vê aqui. Recomendamos a vista do pôr-do-sol numa das diversas esplanadas no topo dos restaurantes ao redor da praça: não se vai esquecer facilmente deste momento.

As ruas da Medina são do mais caótico que já vimos. Basta imaginar um lugar com ruas tão pequenas como a distância entre os nossos braços a passarem scooters, pessoas, bicicletas e de tudo um pouco. Mais uma vez, é uma questão de hábito, mas não foram poucas as vezes em que pensámos se não iriamos ser atropelados num dos nossos passeios. Felizmente tal não aconteceu. Dentro da Medina existem as souks, que não são mais do que mercados tradicionais (uma espécie de bazar) onde se vende de tudo. E dá vontade de trazer tudo e mais um pouco: desde bijuteria, artigos em peles, em latão ou prata, especiarias, tapetes, roupas, etc. Aqui o segredo é regatear ao máximo.

Por último, vale a pena ver os curtumes (tanneries) que é o local onde a pele é tratada antes de ser utilizada para os mais diversos fins. Mas deixamos desde já o aviso: o cheiro é mau, muito mau. No entanto, o “guia” (ou guardião do local) quando dá a visita oferece um ramo de hortelã que ajuda a disfarçar o cheiro. E qual a razão do cheiro pútrido? O principal produto utilizado para amolecer as peles: dejectos de pombo. Exacto.

Mudando de tema: E a comida? Para quem for fã de pratos bem condimentados e de vegetais (como é o nosso caso), não há nada melhor. Experimentem tudo o que diga Couscous, Tagine ou Pastilla e não se irão arrepender. Para quem gostar de chá, é impossível perder o chá de menta tipicamente marroquino (também considerado como o whisky marroquino) com grandes porções de açúcar.

Dos 3 dias completos em que tivemos em Marraquexe aproveitámos para fazer uma excursão de um dia até Aït-Ben-Haddou e Ourzazate. A ideia original seria ir até ao deserto mas infelizmente para tal precisávamos de 3 dias de viagem, o que significava que tínhamos que ceder de ver a cidade de Marraquexe. Fica para uma próxima. Quanto a esta excursão falámos sobre ela num post dedicado, podem ler na íntegra aqui.

Por último, e antes de voltar de novo à realidade, ainda tivemos oportunidade de descobrir a cidade de Casablanca. Apesar de termos indicação que não seria uma cidade muito interessante por ter poucos monumentos a visitar, resolvemos passar lá uma noite já que seria daqui que iríamos apanhar o avião de volta para Portugal. Após cerca de 3h30 de viagem de autocarro, chegámos a Casablanca. Tínhamos lido que nesta cidade existia Uber, pelo que decidimos optar por esta via para pedirmos um táxi até ao nosso alojamento. Não correu bem. Após cerca de 40 minutos a pedir para nos virem buscar, sem sucesso, decidimos ir a pé até ao apartamento que tínhamos alugado para essa noite. Na manhã seguinte, decidimos partir já com malas para visitar o único monumento que tínhamos planeado: a Mesquita Hassan II. Para tal apanhámos um táxi. Deixamos a ressalva para quem pensar como nós que não iríamos conseguir apanhar táxi porque estão sempre cheios. A verdade é que os táxis nesta zona transportam várias pessoas ao mesmo tempo, sendo um género de autocarro; as pessoas vão entrando e vão saindo desde que haja espaço no interior do veículo. Achámos uma particularidade interessante. Os táxis em si são extramente baratos (e velhos), ficando qualquer viagem dentro da cidade entre 1,5€ a 5€.

Quanto à Mesquita Hassan II, é sem dúvida um edifício impressionante. É a maior mesquita de Marrocos, com um minarete com cerca de 210 metros de altura (equivalente a 60 andares) que emite um laser direcionado para Meca). Uma característica que chama a atenção é a sua localização, estando à beira-mar fazendo um enquadramento perfeito com o Oceano Atlântico. Outra particularidade é que é das poucas mesquitas que permite a visita de turistas não-muçulmanos. Infelizmente não tivemos oportunidade de ver o seu interior por falta de tempo, mas o exterior já vale muito a pena.

E assim foi a nossa escapadela de 5 dias pelo nosso primeiro país no continente Africano. Foi uma óptima oportunidade para um primeiro contacto com este país, deixando um “gostinho” para voltarmos novamente (e de uma próxima vez, de mota!).